Blog não oficial relacionado à Residência Médica em Patologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais
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terça-feira, 11 de março de 2014
domingo, 17 de março de 2013
Gliosis Versus Glioma?: Não faça graduação antes de saber do que se trata.
Gliosis Versus Glioma?: Don’t Grade Until You Know
Marie Rivera-Zengotita & Anthony T. Yachnis
Adv Anat Pathol 2012;19:239–249
++/+++
Marie Rivera-Zengotita & Anthony T. Yachnis
Adv Anat Pathol 2012;19:239–249
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O trabalho ilustra tipos de gliose e como um novo imunomarcador (IDH-1) pode ser útil em diferenciar gliose de gliomas ditos “focais” (grau I da OMS) dos difusos (grau II).
Quanto aos tipos de gliose, ilustram a astrocitose fibrosa (mais comum, com alteração gemistocítica), a protoplasmática (que cursa com clareamento da cromatina quando relacionada a doenças metabólicas, chamada The Alzheimer type II cell change e a gliose pilosa relacionada a fibras de Rosenthal (depósitos proteínaceos constituídos por GFAP e alfa-b-cristalin. A doença de Alexander é um desordem genética específica causada por mutações específicas no gen do GFAP que cursa com leucoencefalopatia extensa e abundante deposição de fibras de Rosenthal. Em lesões desmielinizantes o critério para distinção com neoplasias é a correta identificação de macrófagos que pode ser feita com o CD68. Diversamente com o que ocorre na gliose, a proliferação nos gliomas é mais irregular com tendência a formação de acúmulos. O fenômeno de satelitose peri-neuronal (ou sub-pial) é mais atribuído também à neoplasia. A gliose reacional é mais homogênea e com prolongamentos mais longos, as células tumorais tendem a ter prolongamentos menores realçados pela IHQ pelo GFAP. Entretanto, a IHQ pelo GFAP não permite o diagnóstico diferencial entre gliose reacional e glioma ou entre oligodendroglioma e astrocitoma.
Antes de se aplicar os critérios de graduação histológica de gliomas da OMS há que se excluir a possibilidade de um glioma focal, p.ex. astrocitoma pilocítico. Este pode apresentar proliferação endo-vascular e certo índice mitótico, sem contudo afetar sua graduação como grau I.
Juízo de valor sobre o trabalho:
+/+++ zzzz...
++/+++ vale a pena
+++/+++ indispensável
segunda-feira, 11 de março de 2013
Astrocitoma Pilocítico com características semelhantes ao oligodendroglioma
Pilocytic astrocytoma with abundant oligodendroglioma-like component.
Utsuki S, Oka H, Kijima C, Yasui Y, Fujii K, Kawano N.
Brain Tumor Pathol. 2012 Apr;29(2):103-6.
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O oligoastrocitoma não é o único tumor cerebral que possui aspecto em honeycomb. O astrocitoma pilocítico (dentre outros) pode mostrar áreas com células com halos semelhantes ao oligodendroglioma.
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O oligoastrocitoma não é o único tumor cerebral que possui aspecto em honeycomb. O astrocitoma pilocítico (dentre outros) pode mostrar áreas com células com halos semelhantes ao oligodendroglioma.
Relato de caso: paciente de 18 anos (Japão) com lesão localizada no vermis cerebelar causando hidrocefalia e alterações de campo visual.
Morfologia da lesão excisada: aspecto semelhante a oligodendroglioma com halos em favo de mel (“honeycomb”), por vezes com mais de um núcleo por halo. Os vasos não mostravam aspecto em tela de galinheiro (“chicken-wire”). As células invadiam profundamente o tecido nervoso cerebral, associavam-se a fibras de Rosenthal, corpos granulares eosinifílicos (limitados a uma parte da amostra). Houve positividade para GFAP e Olig2. O GFAP era mais forte nas áreas pilocíticas e mais fraco nas áreas semelhantes ao oligodendroglioma. As células não coraram Ki67. A análise do FISH feita em blocos de parafina para o status 1p/19q mostrou alelos 1p/19q intactos.
O uso do Olig2 não é útil porque também marca os astrocitomas pilocíticos. O marcador mais útil para diagnóstico dos oligodendrogliomas é o IDH1.
5 tumores que podem mostram padrão “honeycomb”:
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Nietzsche, meningioma e o dito de Hickman
A imagem acima é a reação de imunoistoquímica com o anticorpo anti-EMA (antígeno de membrana epitelial) na terceira cirurgia para exérese de lesão ocular que causa proptose persistente em portadora de neurofibromatose de 28 anos. Foi diagnosticada como meningioma por nossa residente Bel Souto.
Nietzsche era portador de proptose no olho direito, mas também de anisocoria e alterações psiquiátricas intensas e produtivas. Especulações sobre as causas dos seus transtornos neuropsiquiátricos passam tanto por neurossífilis (a mais difundida) quanto por meningioma (causando a proptose e paralisia de pares cranianos). O trabalho "Friederich Nietzsche and the seduction of Occam’s razor" quer abandonar a navalha de Occam (que na ciência médica equivale a encontrar um diagnóstico que explique todos os sintomas) em favor do dito de Hickman ("patients can have as many diseases as they damn well please"), propondo cefaleia e psicose maníaco-depressiva como quadros superpostos relacionados aos sintomas do filósofo. A ausência de outras alterações da Doença de Von Recklinghausen é usada para desfavorecer a possibilidade de meningioma.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
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